Streaming no rádio e internet

Streaming no rádio e a internet como estratégia de crescimento

Com o dial as emissoras levam informação e entretenimento sem custo. Com o Streaming e a Internet elas levam interação e marcam presença em momentos e lugares específicos”, Thiago Fernandes.

Impulsionado pelos dados da último estudo da Kantar Ibope Media, o Inside Radio 2021, nós entrevistamos Thiago Fernandes, da Nextdial, que falou sobre rádio na internet, para entendermos melhor se o futuro do rádio está realmente ligado ao streaming no rádio.

Mas, antes vamos citar alguns dados do estudo.

Segundo o estudo, o consumo de rádio cresceu 2 pontos percentuais em 2021. Isso significa que 80% da população nas 13 regiões metropolitanas pesquisadas ouvem rádio. Em 2020, a pesquisa registrou a marca de 78%.

Na internet, o crescimento é facilitado pela versatilidade no formato, uma vez que a pesquisa apontou que 66% da população pesquisada ouviram rádio pelo celular, 37% pelo computador e 8% em outros equipamentos.

De acordo com a pesquisa, outro movimento importante também aconteceu com as emissoras que investem em transmitir para canais de vídeo, pois entre os ouvines de rádio, 59% ouviram conteúdo de áudio no YouTube em 3 meses e 73% assistiram vídeos online em sites de fotos e vídeos em 7 dias.

Confira a entrevista com Thiago Fernandes, sobre streaming no rádio e a internet.

Informa – Tendo em vista os objetivos de uma rádio: alcançar novos ouvintes e conquistar novos anunciantes, o streaming é uma solução que veio para ficar ou ele atua mais como uma solução a curto prazo?

Thiago – A transmissão via Streaming é uma extensão da transmissão terrestre. Hoje, a partir de estudos nos milhões de dados coletados mensalmente de mais de 150 emissoras, sabemos que cerca de 40% dos ouvintes que escutam a sua emissora preferida via Streaming estão dentro do rádio de cobertura da transmissão terrestre e, eventualmente, em momentos distintos, também podem ouvir pelo dial. Essa informação mostra o tamanho da importância da emissora investir em um serviço de Streaming de qualidade e na expansão da sua audiência nos diferentes dispositivos de posse dos seus ouvintes, como computadores, smartphones, smart speakers (como a Alexa) e Smart TVs.

Temos percebido também uma correlação entre aumento do consumo do Streaming com a ampliação dos pacotes de dados oferecidos pelas operadoras de telefonia. E isso só tende a crescer. Ainda mais com a chegada do 5G! Com isso, acreditamos que o consumo via Streaming também aumentará sua representatividade na audiência total das emissoras.

Por isso, especialmente fora das capitais, é vital que a emissora desenvolva uma capacidade analítica artística e comercial, oferecendo aos anunciantes e agências os dados que eles necessitam para que possam colocar a emissora no plano de mídia.

Este investimento no streaming e, consequentemente, na coleta de dados também é importante para que o artístico – que é o responsável direto por entregar conteúdo – , interaja com o ouvinte e colete dados que servirão para entender com maior precisão quem são seus ouvintes e montar novos produtos que o comercial irá vender.

Informa – Quando uma rádio passa a ter sua programação na internet, isso é uma novidade. A longo prazo, as rádios terão condições, artísticas e/ou financeiras, para manter e/ou aumentar a audiência nesses canais?

Thiago – A transmissão via Streaming deve ser encarada como uma extensão da transmissão terrestre. Não se pode confundir a transmissão ao vivo com conteúdos sob demanda, como os podcasts. O Streaming e os canais próprios da emissora devem ser trabalhados com objetivo de se promover interação com o ouvinte e coletar dados que permitam a emissora conhecer em mais detalhes o perfil, o momento e os interesses dos seus ouvintes. Essa inteligência deve ser a base de tomada de decisão tanto da formação de rede, quanto da criação de conteúdo, ações promocionais e, claro, a monetização.

Informa – A facilidade de transmitir rádio na internet, pode fazer o rádio físico desaparecer ou perder importância?

Thiago – Hábitos de consumo mudam e se fragmentam. Diziam que as lojas físicas iriam fechar por causa do e-Commerce. Não aconteceu. E não há perspectiva que vá acontecer! Contudo, a representatividade da loja on-line no total de vendas cresceu muito. Especialmente por conta da pandemia. Da mesma forma, o dial e o Streaming vão coexistir.

Com o dial as emissoras levam informação e entretenimento sem custo. Com o Streaming e a Internet elas levam interação e marcam presença em momentos e lugares específicos.

Mas podemos ver mudanças com a chegada do 5G.

Com o dial as emissoras levam informação e entretenimento sem custo. Com o Streaming e a Internet elas levam interação e marcam presença em momentos e lugares específicos.

Informa – Utilizamos muito a expressão que o “rádio está virando TV”. É correto falar assim ou não podemos misturar ou confundir os meios?

Thiago – Cada meio pode ter um público, dinâmica de consumo e formato artístico e comercial totalmente distintos. Simplificar demais é receita do fracasso.

Rádio, na sua essência, é um conteúdo em áudio consumido em tempo real.

Com o sucesso do YouTube há uma certa expectativa que o rádio produza conteúdo em vídeo. E claro que isso exige um investimento. É necessária uma infraestrutura adequada (internet, hardware, software, camarim, etc). Os profissionais da emissora devem se qualificar pra isso. Provavelmente também haverá a necessidade de novos tipos de profissionais. Além, claro, do resguardo jurídico.

A emissora também tem que considerar o perfil dos seus ouvintes e os canais pelo qual distribuiria esse conteúdo em vídeo. É de conhecimento geral que a internet móvel no Brasil não é das melhores (especialmente fora das capitais). O plano de dados dos pacotes básicos é limitado. Aí, quando se opta por conteúdo em vídeo pelo site da própria emissora, se não houver uma infraestrutura adequada, por exemplo, com variação automática de qualidade como no Netflix, o plano de dados é drenado e a emissora acabando com uma baixa audiência no final.

Cada meio pode ter um público, dinâmica de consumo e formato artístico e comercial totalmente distintos. Simplificar demais é receita do fracasso.

Será que faz sentido pra sua emissora? Não sei. Só analisando os números e o perfil dos seus ouvintes pra saber.

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